CORDÉIS

CORDELISTAS DO BRASIL
Aqui serão colocados textos de cordel escritos pelos cordelistas cadastrados.
(Será colocado um texto por autor)

Os textos são de responsabilidade dos seus devidos autores.

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E

VAQUEIRO SEM DEVOÇÃO

                                            Autor: Edson Oliveira.

    
Sou um sertanejo nato
Das quebradas do sertão
Cresci no meio do mato
De guarda peito e gibão
Vou narrar um triste fato
Por favor, preste atenção.
 
Numa sexta feira santa
No sertão de Canindé
Em uma manhã de chuva
Na fazenda de seu Zé
Faltou um boi no curral
Por nome de caboré.
 
O patrão disse vaqueiro
Hoje não vai campear
Pois na sexta feira santa
Não podemos trabalhar
Tire os arreios do cavalo
E bote pra descansar.
 
Entrou no mato fechado
No meio do espinhal
Desse jeito nunca tinha
Campeado um animal
Mais o combinado era
Levar o boi pro curral.
 
Disse assim sou afamado
Não tenho religião
Por isso dia sagrado
Não existe sim ou não
Vou correr atrás do gado
Hoje eu pego até o cão.
 
Assim quer fechou a boca
Dizendo esse palavrão
Deu um estrondo danado
Que parecia um trovão
Preocupado ele disse
Meu patrão tinha razão.
 
O vaqueiro respondeu
Nunca aprendi a rezar
O senhor me der licença
Que eu quero-me arre tirar
O pego até no inferno
Ou deixo de campear.
 
E saiu em disparada
Pela as matas do sertão
Dizendo palavra feia
Chamando o nome do cão
Dizendo meu juramento.
Eu provo pro meu patrão.
 
Não demorou muito tempo
Avistou o barbatão
Falou naquele momento
Nunca levei um cambão
Soltou um aboio na mata
Que estremeceu o chão.
 
Vou deixa o meu recado
A todos quero dizer
Na minha vida de gado
Não nasci para perder
Pegando o rabo de um boi
Só solto quando morrer.
 
Sou cabra  desmantelado
Ganhar fama é meu prazer
Sou vaqueiro admirado
No meu jeito de correr
Em qualquer mata fechada
Eu boto boi pra descer.
 
Meu gibão está rasgado
Não pode me proteger
Para não ser castigado
Tenho fé começo a crer
Quando o dia for sagrado
Devemos reconhecer
 
Nessa sexta feira santa
Seu destino foi traçado
Aquela grande carreira
No sertão ficou marcado
No meio de uma capoeira
De um roçado abandonado.
 
De uma jurema velha
Não pode se desviar
O boi já estava pego
No ponto de derrubar
O seu cachorro estimado
Já latia sem parar.
 
No galho dessa jurema
A cabeça ele bateu
No cantar da seriema
O vaqueiro faleceu
Igual cena de cinema
Como o poeta escreveu.
 
Quando olhou pro outro lado
Viu o cachorro trigueiro
Que também tava sem vida
Ao lado do companheiro
Amigo sempre fiel
Por esse sertão inteiro.
 
Foi essa a última carreira
Do vaqueiro mal criado
Toda sexta feira santa
Se escuta no cerrado
O rangido da porteira
E ele tangendo o gado.
 
Nas estradas do sertão
Rezando desesperado
Com rosário na mão
Confessando seu pecado
Devemos reconhecer
Quando o dia for sagrado.
 
Já estava anoitecendo
E o vaqueiro não voltou
O que está acontecendo?
O fazendeiro falou
Chamando outros vaqueiros
E pelo o mato adentrou.
 
Ele não imaginava
A cena que encontrou
O rabo do boi na mão
Do vaqueiro ele avistou
O vaqueiro tava morto
Mais o boi ele pegou.
 
Quando desceu do cavalo
Foi sentindo um grande espanto
O vaqueiro e boi morto
E o cavalo em outro canto
Foi um castigo de Deus
Porque o dia era santo.
 
Confesso, não é fuxico.
Você tem que conhecer
A história do vaqueiro
Que eu sempre ouvi dizer
E nesse simples cordel
Eu tive que escrever.
 
Da fazenda de seu Zé
Só existe o casarão
Só Um lado está de pé
E o Outro tombou ao chão
E a cruz do vaqueiro louco
Que não tinha devoção.
 
Ele morreu encourado
Veja a coisa como é
Tem uma porteira velha
Que ainda está de pé
Com a cabeça do boi
Do saudoso Caboré.
 

 

 

 

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